Dorina

No CD Tem mais samba, de 2005, Hugo Sukman escreveu certeiras palavras acercas de Dorina: “Vá a um samba bom qualquer no Rio. Se não encontrar Dorina por lá, é que ela está em outro samba. Ou aquele que falaram que era bom, pode de repente não ser tão bom assim”. Dorina é sinônimo de qualidade. Deste 1975, com seu primeiro álbum, Eu canto samba, título de famosa composição de Paulinho da Viola, ela vem imprimindo sua marca na história do ritmo. Dorina é uma cantora que vive o que canta, canta para viver a experiência do samba, onde quer que ele esteja e onde quer que haja samba de qualidade. Dorina é uma andarilha, uma espécie de militante dessa arte, que não freqüenta as listas das grandes vendagens, mas que já se consagrou, com certeza, no seleto grupo de grandes sambistas. Monarco, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila e tanto outros já atestaram sua nobreza, e de mais aval ela não precisa, sua obra fala por ela. Gemas preciosas estão incrustadas em álbuns como O violão e o samba, de 2007; na apaixonada homenagem a Luiz Carlos da Vila, em Sambas de Luiz, de 2013, ou ainda no seminal Brasileirice (2010). Há mais: Samba.com (2000), Sambas de Almir (2003), o excelente e gravado ao vivo, Samba de fé, de 2008, além de participações em vários CDs com todo mundo da pesada que, como ela, comanda o melhor do ritmo e seus destinos. Quem quiser ouvir uma boa coletânea de suas canções, encontra em Tem mais samba, de 2005, um excelente cartão de visita a essa cantora incansável. Porque Dorina é isso: resistência, persistência, devoção. A Portelamor, inaugura essa série Perfil com essa singela homenagem. E que ouçamos Dorina, ainda que não seja fácil encontrar seus discos. Pérolas preciosas, a gente tem mesmo que garimpar, nesse Brasil de meu Deus, em que artistas autênticos por vezes se tornam mistérios, culto, quase tesouros escondidos.
Viva Dorina! Viva o samba! Dorina é o samba!


Paulo Oliveira