Uma história de amor, que se renova

 

Era 20 de fevereiro de 2011, mas não de um fevereiro qualquer. Há menos de três semanas para o início daquele carnaval nascia uma nova história de amor com o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. Naquele dia foi fundada a Torcida Portelamor.

O panorama era de caos e indignação com a incompetente administração Nilo Figueiredo, cujo ápice para nós foi o incêndio na Cidade do Samba, sucedido pela incompetente resposta daquela diretoria ao episódio. 2011 foi mais um capítulo terrível na história da Portela, sob o comando daquele grupo. Acresce que as torcidas organizadas estavam se desviando, a nosso ver, de seu objetivo primordial, que sempre foi o de lutar desinteressadamente pela glória do pavilhão azul e branco. Deste sentimento, misto de amor e revolta, surgia no horizonte o desejo de se construir uma nova torcida, com uma nova história.

Em meio àquele cenário de incertezas e muita indignação,  foi fundada a Torcida Portelamor. Por discordância ideológica com os rumos da torcida que ajudou a criar, a Guerreiros da Águia, Jorge Anselmo fundou a nova torcida, junto com o companheiro José Alves. O objetivo foi o de resgatar e manter a antiga ideia fundadora da pioneira torcida: PELA PORTELA TUDO. NADA DA PORTELA.

Daquele 20 de fevereiro de 2011 até 2016, passados cinco anos, a Portelamor veio reafirmando, a cada dia, seu amor incondicional pela Portela. É um pacto de fé na escola, desinteressado, porém vibrante; apaixonado, mas com os pés bem firmes no chão. A Torcida Portelamor firmou-se nesses cinco anos através de alguns pilares que, como a jaqueira imortal, reverencia as raízes e as tradições da azul e branco: amor, respeito, dignidade, honestidade e luta “pela glória do samba no Brasil”.

Os objetivos da Torcida Portelamor foram seguidos à risca: incentivar a Portela e o portelense nos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí; zelar pela memória da agremiação e por sua incomparável história; motivar o ingresso de novos torcedores, divulgando os projetos, as conquistas e contribuições da azul e branco, levando o nome da escola a todos os lugares, dentro e fora do Rio de Janeiro e às mídias impressas, faladas e digitais.

Ao lado dessas ações de afeto, a Portelamor foi oposição ao estado de calamidade instalado na administração Nilo Figueiredo, que em quase uma década de péssima gerência nos lançou na amarga posição de derrota em que nos encontrávamos, a cada ano. Se tudo é pela Portela e nada deve vir dela, entendíamos que verdadeiros portelenses deveriam tomar as rédeas da escola, colocando para fora os fariseus e charlatães que usurparam a gloriosa azul e branco.

O espírito da Portelamor sempre foi o da luta e do respeito pela Águia Altaneira. Para nós, ser portelense é celebrar o espírito pioneiro da escola, que vinha se apagando. Inovação, invenção, ousadia, paixão pelo samba, pelas tradições e garra na luta pelos ideais portelenses era o que queríamos ver de volta à escola. Sempre norteados pela herança azul e branca, a Portelamor foi a primeira torcida ter um projeto social, o NASP – Núcleo de Ação Social Portelamor; a primeira a introduzir o Comando Feminino, oficializando e legitimando o papel fundamental das mulheres na torcida; criou a Turma da Manguaça, que abraça e agrega não só portelamorenses mas todos os que amam ou simpatizam com a Portela e que se reúnem regularmente para celebrar o samba azul e branco, a amizade e o espírito de luta portelenses.

Inspirados na Torcida Organizada Cearamor, do Ceará Sporting Club de Fortaleza, e de onde surgiu o nosso nome, nós, portelamorenses, conclamamos a todos os de sangue azul e branco a lutar pela glória do samba, como fez o lendário Paulo Benjamin de Oliveira, tendo a Portela, e só ela, como denominador comum: Portela de tantas batalhas, muitas vencidas e outras perdidas, mas sempre marcadas pela dignidade que a nobreza da Águia lhe confere e que faltou àquela nada saudosa direção.

E o tempo se passou. Novos tempos vieram, com eles uma nova administração, que tirou a escola das sombras e dos escombros. Com tempos novos, novos caminhos foram sendo traçados, inclusive para as torcidas organizadas. Entendemos que a vida é feita de desafios. Desafio implica conhecimento e crescimento. Quando há cinco anos foi criada a Portelamor, o desafio era construir uma Torcida norteada pela coerência, pela transparência e pela ética. Tratava-se de uma proposta diferenciada, traduzida pelo lema “Pela Portela tudo. Nada da Portela”. Foram tempos difíceis, mas a Torcida Portelamor imprimiu sua marca, sempre pautando suas ações pelo incondicional apoio à escola, porém mantendo firmemente sua independência.

No dia 02 de abril de 2016, a Portelamor decidiu lançar-se em um novo desafio: deixa de ser Torcida e passa a ser um Grupo. O que isso significa e quais os motivos para essa decisão? Os novos rumos que se anunciam na organização das torcidas, as mudanças iminentes que se apresentam na configuração dos clubes de torcedores, a nosso ver, vão requerer um perfil de torcida que não se encaixa em nossas aspirações. Há antigas e novas torcidas que estarão aptas a cumprir com eficiência essas novas tarefas. A Portelamor escolheu seguir à risca sua vocação, que é a de preservar a história da Portela, zelar por sua memória, divulgando sua produção cultural e artística nas mais diversas mídias e nos mais variados meios de comunicação. Nosso objetivo é o de trabalhar para que a escola seja sempre reconhecida por sua contribuição extraordinária à história do carnaval. Essa é uma tarefa de vida.

Assim sendo, a partir de 02 de abril de 2016, seremos identificados como GRUPO PORTELAMOR. Pedimos a nossos amigos e seguidores que continuem nos apoiando e prestigiando nossos esforços, compartilhando de nossa felicidade em trabalhar pela glória da Portela e do samba. Como Grupo, nos desobrigamos das responsabilidades de uma torcida; por outro lado, como Grupo, liberamos nossa energia para novos e bem vindos desafios. Esperamos estar à altura de cada um deles, sempre respeitando aquele artigo único de nossa legislação, que permanece, como há cinco anos: “Pela Portela tudo.  Nada da Portela”.

Somos filhos da Portela e muito nos orgulhamos de sua história. E é essa memória e essa herança que nos guia. O futuro nos aguarda. Avante Portela!

Porque amar é fundamental.