Monarco, flores em vida


André Camargo

Em uma cerimônia para convidados, na quadra da Portela, em Madureira, a revista Plumas e Paetês Cultural homenageará o Presidente de Honra da Azul e Branco, mestre Monarco, por conta dos festejos do centenário do samba. A 12ª Edição do Prêmio Plumas e Paetês Cultural contemplará artistas e diversos trabalhadores que atuam nos bastidores do carnaval carioca, em 26 categorias, dentre elas: Aderecista, Artesão, Carnavalesco, Carpinteiro, Coreógrafo, Costureira. Serão premiados aproximadamente 60 trabalhadores, agraciados com a imagem do homenageado estampada no troféu que receberão durante a festa, quando também será inaugurado o busto do homenageado ilustre. Flores em vida.

Falar de Monarco é falar de humildade, alegria, simplicidade, amor, natureza, de samba bom e composições inspiradas, que honram a galeria de baluartes que passaram pela história da Portela. Ao se mudar para Oswaldo Cruz, com apenas 10 anos de idade, Monarco começou a frequentar as rodas de samba da Portela. Ainda criança, já mostrava talento, com composições de qualidade. Além, tocava cavaquinho e percussão. Seu primeiro samba foi “Crioulinho Sabu”, composto aos 11 anos de idade. Monarco não perdia uma roda de samba e acompanhava de perto a ala dos compositores da escola de Oswaldo Cruz. Aos 17 anos foi convidado a integrar o seleto grupo. Hoje, é ilustre membro da Velha Guarda portelense.

Em seus sambas, Monarco exaltava o lirismo amoroso, a natureza bucólica, o lugar onde nasceu e por onde passou. Seus versos cantam e encantam: amor, perda, saudade, o bucolismo suburbano, a escola do coração e o mundo do samba são os temas de suas principais composições. Seu primeiro disco solo foi em 1974, mas foi em 1976, com o seu segundo álbum, que alcançou expressiva vendagem. Entre as canções daquele disco, o samba “Quitandeiro”, em parceria com Paulo da Portela, cantava a malandragem e a vida simples e dura do trabalhador. Foi um grande sucesso da época:

Mas não se esqueça
de avisar a nêga Estela
que o pessoal da Portela
vai cantar partido alto
vai ter pagode até o dia amanhecer
e os versos de improviso
serão em homenagem a você.

Apesar de nunca ter ganhado uma disputa de samba-enredo no GRES Portela, chegando apenas a um terceiro lugar, Monarco emplacou/consagrou diversos samba “de terreiro” ou “de quadra”. O último ano em que disputou um samba-enredo foi em 2007, ao lado do filho Mauro Diniz e Junior Scafura. Monarco teve sambas gravados por grandes nomes da Música Popular Brasileira, como João Nogueira (“Amor de Malandro”, em parceria com Alcides Dias Lopes); Paulinho da Viola (“O passado da Portela”); e Zeca Pagodinho (“Lenço”), dentre outros, cantados por Beth Carvalho, Marisa Monte, Diogo Nogueira, Mauro Diniz, Grupo Revelação, Juliana Diniz etc. Monarco já foi enredo de Escola de Samba e teve alguns sambas-enredos desenvolvidos na Marques de Sapucaí. Ganhou em 1994 o Prêmio Sharp de melhor cantor na categoria samba com o CD “A voz do samba”; em 2003 foi vencedor do Festival “Fabrica do Samba” com a canção “Coração feliz”, em parceria com o filho Mauro Diniz. No ano seguinte, conquistou o premio de melhor disco de samba do II Prêmio Tim. Em 2010, ficou em primeiro lugar no 3º Concurso de Samba de Quadra da Light e no ano seguinte recebeu o prêmio de melhor canção por “Dolores e suas desilusões”, em parceria com o filho mais velho, durante a 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira. A grande consagração veio em 2015, com as inúmeras e merecidas homenagens, culminando nos prêmios de Melhor Cantor e Melhor Álbum de Samba na 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, o mais prestigioso do Brasil.


Monarco, como diz o epíteto, faz jus ao título de Baluarte da Portela, um dos maiores da história de nossa escola.