Como era o desfile

A organização do desfile das escolas de samba foi mudando, com o tempo, até se tornar o espetáculo que é hoje. E isso tem uma história, que nem sempre conhecemos. Falemos um pouco desses tempos, que já vão longe na memória.

No início, o desfile das Escolas de Samba era aberto pelo “pede passagem”, que carregava uma tabuleta com o símbolo e nome da escola a desfilar. Atrás, vinha a “Linha de Frente”, que depois passou a se chamar de Comissão de Frente. Em seguida, dançando, o casal Mestre Sala e Porta Bandeira. Mais atrás, aparecia o primeiro “puxador” de samba e o primeiro “versador”, seguidos pelo “caramanchão”, que abrigava os principais diretores da Escola, e pelo segundo casal Mestre Sala e Porta Bandeira. Mais adiante, surgiam o segundo puxador e o segundo versador. No final vinha a bateria comandada por seu diretor. Nas laterais , as baianas desfilavam em fila indiana, fixando os limites da escola e da corda de isolamento, impedindo a invasão do público.

O Carnaval de 1931 marca nova mudança em uma jovem escola, de Oswaldo Cruz, que troca seu nome mais uma vez, e passa a se chamar Vai Como Pode. Ganha bandeira, idealizada por Antônio Caetano, também criador da primeira alegoria apresentada por uma escola de samba. Os (nós) portelenses sustentam terem também sido os primeiros a apresentar um enredo, naquele ano, intitulado SUA MAJESTADE, O SAMBA. As pesquisadoras Marília Barboza e Lygia Santos revelam que a alegoria criada por Antônio Caetano era uma barrica, que representava os instrumentos do conjunto musical. O corpo da alegoria, a barrica, era uma espécie de bumbo; a cabeça era um tamborim; as pernas e os braços eram varetas.

Naquela época o desfile de uma escola de samba reunia cerca de 100 componentes, o que era considerado muita gente.

 

Fábio José de Melo e professor da FAETEC e de escolas da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro e Pesquisador das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Foi julgador da LIESA, no quesito Harmonia.


A futura Portela foi fundada oficialmente como um bloco carnavalesco, chamado Conjunto Oswaldo Cruz, em 11 de abril de 1923, no bairro de Oswaldo Cruz. Embora alguns estudiosos afirmem que a escola foi fundada em 1926, o consenso é por 1923, o mesmo ano de criação do bloco "Baianinhas de Oswaldo Cruz", que já continha o embrião da primeira diretoria portelense, com Paulo da Portela, Alcides Dias Lopes (mais conhecido como "Malandro Histórico"), Heitor dos Prazeres, Antônio Caetano, Antônio Rufino, Manuel Bam Bam Bam, Natalino José do Nascimento (o "seu Natal"), Candinho e Cláudio Manuel. Depois, o nome foi alterado duas vezes: “Quem Nos Faz É O Capricho” e "Vai Como Pode". Como mostra nossa matéria anterior, “Vai como pode virou Portela”, neste site, em meados da década de 1930 é que a escola assume o nome Portela. Com o tempo, também se mudou de Oswaldo Cruz para o bairro vizinho, Madureira, mas é ainda muito conhecida e referenciada como uma escola de samba "de Oswaldo Cruz".
Obs.: As informações foram retiradas do site Wikepedia e a redação levemente alterada, para mais clareza.