WALTER ALFAIATE

Walter Nunes de Abreu é o Walter Alfaiate, para o mundo do samba. Nasceu em 07 de junho de 1930 e foi criado no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, mudando-se mais tarde para o mais charmoso bairro, conhecido por muitos como a Princesinha do Mar, onde sua voz ecoou na famosa boate Bolero, em Copacabana.
Sua paixão pela música começou quando era ainda menino e frequentava o coral da escola primária. Aos 13 anos, aprendeu o oficio de alfaiate, profissão que, anos mais tarde, lhe rendeu o apelido e foi integrada a seu nome artístico.

A juventude foi marcada por suas composições nos blocos carnavalescos de Botafogo e bairros vizinhos. Alfaiate fez parte, inclusive, do núcleo de sambistas do bairro em que nasceu. Botafoguense de coração foi em uma partida de futebol que conheceu seu amigo e maior parceiro musical, Mauro Duarte. Juntos, compuseram mais de 200 canções, emprestando suas letras para Paulinho da Viola, João Nogueira, dentre outros sambistas renomados.

Alfaiate surge no cenário artístico em 1960, aos 30 anos de idade, como Walter Nunes, participando de Rodas de Sambas e integrando os grupos “Os Reis do Samba” e “Os Autênticos”, entre os anos de 1966 e 1968, junto com Noca da Portela, Mauro Duarte, Eli Campos e Adélcio Carvalho. Ainda na década de 60, Walter ficou conhecido como Walter Sacode, ao regravar o Samba de Hélio Nascimento e Alfredo Marques, “Sacode Carola”, sucesso absoluto no show da boate Bolero.

Nos anos 70, suas composições musicais alcançaram patamares maiores e visibilidade quando o amigo e músico Paulinho da Viola gravou “Cuidado, teu orgulho te mata”, “Amor amor”, composições em parceria com o amigo Mauro Duarte, e “Coração oprimido” em parceria com Zorba Devagar. Alfaiate e Mauro Duarte tiveram também o prazer de escutar sua música, “Bate boca” na voz do mestre João Nogueira.

A década de 1990 foi muito importante para Alfaiate. Foram anos de grandes participações em shows e em faixas de CDs, ao lado da nata da malandragem. Em 1993, recebeu o convite de Paulinho da Viola para participar do show que apresentava no Teatro Clara Nunes, não só com os amigos, mas incluindo, também, os sambistas de Botafogo. Em 1996, gravou, ao lado de Nei Lopes, Wilson Moreira e Aldir Blanc, em faixa do CD “50 anos”, de Aldir Blanc, o samba “Mastruço e catuaba”, de Aldir Blanc e Cláudio Cartier. Foi convidado para os CDs O samba sabe o que quer, de Guilherme Godoy e Sérgio Botto e para participar, ao lado de Leila Pinheiro, do projeto Casa de Samba 3. O Sambista se apresentou ao lado de Wilson das Neves, Nelson Sargento, Noca da Portela e Augusto Martins, na Casa de Shows Mistura Fina, a mais elegante da época.

Sambista que é sambista está sempre bem vestido com seu terno de linho e não poderia ser diferente com este Majestoso do Samba, que confeccionava seus próprios ternos. Alfaiate levou tempo para ganhar definitivamente seu espaço no mundo do samba, que veio, ainda que tardiamente. Seu primeiro CD foi lançado em 1998, aos 68 anos. Olha aí, com a faixa-título de autoria de Mical e Miúdo, ambos parceiros da época de núcleo dos sambistas de Botafogo, continha canções de autoria de Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Aldir Blanc, Martinho da Vila, Nei Lopes, Sereno, além de duetos com Mauro Duarte, dentre outros bambas.

Na constante companhia dos amigos e parceiros da nata do samba carioca portelense não demorou muito para receber o convite para integrar o seleto grupo de compositores do G.R.E.S. Portela. Declarando sua paixão pela escola, aceitou de imediato o convite. Em suas composições, retratava o amor, a paixão, o bairro que morava, o carnaval, à semelhança dos letristas dos sambas da Portela. A semelhança e as paixões que moviam os compositores de Oswaldo Cruz e Madureira eram muitas, apesar da distância geográfica que o separava do território geográfico da azul e branco.

Elegante e agora majestoso, o sambista, em 2003, aos 71 anos de idade, grava o seu segundo álbum solo, Samba na medida, em sua maioria composições próprias como “É madrugada” e “Já te esqueci”, ambas feitas nos anos 60 e assinadas ainda como Walter Nunes. Mas não deixou de fora a música “Favela”, em parceria com Padeirinho e Peçanha, e duas colaborações vinda do G.R.E.S. Portela, “Isso um dia tem que acabar”, de Noca da Portela e Mauro Duarte, e o Samba-Enredo campeão de 1984, “Contos de Areia”, de Norival Reis e Dedé da Portela, que retratava a Bahia, seus encantos, suas tradições religiosas das matrizes africanas, seus baluartes, Natal, Clara Nunes e Paulo da Portela. A Águia Altaneira não poderia ficar de fora deste hino.

Caberia perfeitamente dizer que Walter Alfaiate se encaixava na última estrofe deste samba-enredo pela sua maestria e elegância:

“Na ginga do estandarte
Portela derrama arte
Neste enredo sem igual
Faz da vida poesia
E canta sua alegria
Em tempo de carnaval”

Era assim que o nosso majestoso vivia, de forma simples e respirando o gênero musical que fez versos, poesias e composições se transformar em melodias doces, suaves e com gingado magistral, nas rodas de sambas da Cidade Maravilha. Alfaiate viu e ouviu suas canções nas vozes da aristocracia do samba carioca. Foi convidado a participar de duetos em shows e CDs de célebres sambistas, por todas as capitais brasileiras. Seu reconhecimento lhe rendeu um documentário, em 2002: Walter Alfaiate: a elegância do samba, que conta sua história, a trajetória do alfaiate ao sambista.

Em 2001, Walter Alfaiate é convidado a integrar e inaugurar com Diogo Nogueira o projeto “As novas caras do velho samba”, que tinha como objetivo resgatar a raiz musical do gênero e integrá-la à nova geração de sambistas. Para Walter Alfaiate dividir o palco com um jovem de 20 anos significava poder dizer e provar que não há idade para um bamba. Já para Diogo, era a chance de transmitir esse gênero musical maravilhoso aos de mais jovem idade, afirma Nogueira. Naquele projeto, também se apresentariam o Mestre Monarco, Ernesto Pires, Xangô, Marcos Diniz, Tantinho e Jair do Cavaquinho entre outros do bom e velho Partido Alto.

O terceiro CD de Walter Alfaiate foi lançado em 2005, aos 75 anos de idade, intitulado “Tributo a Mauro Duarte”, homenagem ao parceiro e amigo.

Alfaiate faleceu no dia 27 de fevereiro de 2010, aos 79 anos.

O compositor foi a tradução mais completa, como diria Caetano Veloso, da elegância do sambista portelense, no traje e nas composições, conforme inaugurada por Paulo da Portela: “pescoço e pés ocupados”, mas sempre comum violão ou um cavaquinho na mão e um samba na cabeça, como manda a tradição da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira.

Discografia:

(2005) Tributo a Mauro Duarte • Gravadora CPC-Umes • CD
(2003) Samba na medida • CPC-Umes • CD
(2003) Um ser de luz: saudação à Clara Nunes • Deckdisc • CD
(2000) Casa de samba 4 • Universal Music • CD
(2000) Pirajá esquina carioca: uma noite com a raiz do samba • Dabliu / Eldorado • CD
(1998) O samba sabe o que quer • Independente • CD
(1998) Olha aí • Alma Produções • CD
(1998) Casa de samba 3 • Universal Music • CD
(1996) Aldir Blanc: 50 anos • Alma Produções • CD

Biografia:

http://dicionariompb.com.br/walter-alfaiate.

Vídeo:

CINE SAMBA CANDEIA
Produção e Realização: PORTELA CULTURAL
Rio de Janeiro, 25 de julho de 2015.
Video: PH Registrou

 


Trailer Documentário: A elegância do Samba

Walter Alfaiate: A elegância do samba.
Direção: Vital Filho, Emiliano Leal, Paulo Roscio, Rommel Prata e Vitor Fraga.
País: Brasil.
Ano: 2009.
Classificação: Livre.
Duração: 60 min.