Walter Rosa

Walter Rosa, compositor, músico, cantor, interprete, integrante da ala dos compositores do G.R.E.S. Portela. O que dizer deste majestoso do samba?

Nascido em 5 de abril de 1925, no subúrbio carioca, na região do grande Meier, ainda menino, em 1933, conheceu o Bloco Carnavalesco Filhos do Deserto, com sede no Morro da Cachoeirinha, localizado no Complexo do Lins. Foi neste bloco que aprendeu a tocar instrumentos de corda e de percussão, e a ensaiar suas primeiras composições, que mais tarde iriam se consagrar nas vozes de grandes interpretes da MPB.

Sua trajetória de sucesso começa na adolescência, aos 17 anos de idade, quando passou a frequentar o Bloco Recreativo de Inhaúma, situado na zona norte do Rio, vindo a conhecer, posteriormente tornando-se grandes amigos, Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, e outros sambistas e compositores coroados da época. Na década de 40, foi levado para Oswaldo Cruz, pelo companheiro de samba. Em 1950, ano seguinte ao falecimento do amigo Paulo da Portela, ingressou na Ala dos Compositores da Majestade do Samba, G.R.E.S. Portela.

Não demorou muito para que um samba seu fosse campeão na Avenida. Em 1960, Walter Rosa compõe o primeiro samba-enredo pela Portela, para o Enredo “Rio, capital eterna do samba”. A Portela, 5ª Escola a desfilar, vinda de um tricampeonato, conquistou debaixo de chuva os 100 pontos que garantiu o tetracampeonato.

Podemos dizer ou deduzir que o samba-enredo que a Portela levou para Avenida em 1960, e que consagrou o músico Walter Rosa, foi inspirado na marchinha de Carnaval “Cidade maravilhosa”, composta por André Filho em 1935, que virou o Hino da Cidade do Rio de Janeiro, já que em seus versos, Rosa também exaltava a cidade de São Sebastião, a bela natureza e seus encantos mil, terminando em “orgulho do meu Brasil”, conforme se pode observar:

Rio, capital eterna do samba

Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
Rainha das paisagens
Maravilha do mundo inteiro

O teu cenário histórico
O passamos a ilustrar
O sonho de teu fundador Estácio de Sá
Simbolizando em cânticos alegres
Aqui viemos exaltar

Estão consumados, cidade, teus ideais
Apologia a teus vultos imortais
Rio, dádiva da natureza
Aquarela universal
Os sambistas elegeram ao som da música
A nova Guanabara
Esta é a capital de encantos mil

Lá lá lá ...
Orgulho do meu Brasil”

Em 1961, Rosa emplaca seu segundo samba-enredo, “Joia das lendas Brasileiras”, com o parceiro Antônio Alves, na agremiação azul e branco de Oswaldo Cruz, que cantava e encantava as lendas e crendices brasileiras, dentre elas a “Mãe D’água – Iara”, o “Saci Pererê” e o “Negrinho do Pastoreio” com as superstições de várias regiões deste imenso Brasil. Contrariando toda a expectativa do pentacampeonato, a Portela ficou em terceiro lugar com 95,5 pontos.

Walter Rosa e Antônio Alves voltam ao cenário da Portela em 1963, com o samba-enredo “Barão de Mauá e suas realizações” em ano de mudanças nas regras do Carnaval Carioca. A partir desta data, instituiu-se que os jurados ficariam espalhados por toda a avenida em cabines individuais e as notas seriam de 1 a 5, eliminando as casas decimais.

O samba-enredo narrava com maestria a história, exposta nas alegorias e fantasias da Portela, porém, tinha uma letra difícil de ser cantada, o que prejudicou os quesitos Samba-enredo, Harmonia e Conjunta, o levou a escola a amargar um quarto lugar, com 80 pontos.

Durante a década de 60, ajudou a criar a Sociedade Carnavalesca Arranco de Engenho de Dentro e a Portela foi convidada para ser a madrinha da escola, adotando o azul e branco como as cores oficiais da nascente escola, e o Falcão como símbolo, uma forma de homenagear a madrinha, mas só em 1973 ela é oficializada, tornando-se G.R.E.S. Arranco de Engenho de Dentro.

Mesclando os gêneros musicas samba-enredo e samba, Walter participou do show “A fina flor do samba”, em 1966, no Teatro Opinião do Rio de Janeiro e se apresentou em emissoras de TV. Aos 42 anos de idade, teve sua canção “A timidez me devora”, em parceria com Jorginho Pessanha, gravada por Roberto Silva. Em 1968, aos 43 anos, sua música “Legado de Getúlio Vargas”, com o amigo Silas de Oliveira, fez parte da peça teatral “Dr. Getúlio, sua vida e sua obra”, de Ferreira Gullar e Dias Gomes, que rodou o Brasil a fora.

Compositor de grandes sucessos no mundo do samba, Rosa participou, em 1973, do disco “A voz do samba” em duas faixas com musicas de sua autoria e seus parceiros, sendo elas: “É fracassar”, com Esly, e “Primeira figura”, composta com Pepe. Neste mesmo ano, junto com o Mestre Monarco, a canção “Tudo menos amor” foi gravada por Martinho da Vila, sendo mais tarde regravada por Leci Brandão e Péricles, para o CD “Casa de Samba 4”, em 2000; e por Mar’tnália, no CD “Pé do meu samba ao vivo”, em 2004, e até os dias de hoje apresentadas nos shows da Velha Guarda da Portela e de interpretes da MPB, visto que virou um hit no mundo do samba e da MPB. Confiramos o trecho:

Tudo que quiseres te darei ó flor
Menos meu amor
Darei carinho se tiveres a necessidade
E peço a deus para lhe dar muita felicidade
Infelizmente só não posso ter-te para mim
Coisas da vida, é mesmo assim

Em 1976, regravou a música “Legado de Getúlio Vargas”, feita em parceria com Silas de Oliveira, para o LP editado pela gravadora Abril Cultural.

Rosa teve composições gravadas por Beth Carvalho, Martinho da Vila e Abílio Martins que interpretaram com maestria a canção “O pior é saber”. Para Clara Nunes, confiou a música “Vai amor”. O grupo Os Originais do Samba, grava dele “Peito ferido”, parceria com Noca da Portela. Martinho da Vila, em 1997, no CD Coisa de Deus, canta de Rosa “Nem ela, nem tu, nem eu”. Muitas das suas composições foram feitas com grandes mestres do samba: Monarco, Candeia, Manacéia, Silas de Oliveira, Noca da Portela, Antônio Alves, Picolino da Portela.

No dia 23 de janeiro de 2002, o palco do Teatro João Caetano abriu suas galerias para receber um show beneficente, mistura de respeito e gratidão, em que seus amigos fizeram um tributo, a fim de relembrar as canções de Walter Rosa. Dentre os ilustres majestosos, intérpretes, compositores, sambistas e artistas estavam Mestre Monarco, Paulinho da Viola, Velha Guarda da Portela, Tantinho da Mangueira, Décio Carvalho e Darcy da Mangueira.

A quinta-feira do dia 24 de janeiro de 2002 amanheceu cinzenta, com a notícia do falecimento do exímio sambista, prestes a completar 77 anos. O que seus amigos não esperam era que o show da noite anterior fosse uma despedida. Walter Rosa faleceu em decorrência da diabetes, com a qual vinha travando uma luta e já tinha lhe custado a visão.

Neste mesmo ano, foi lançado o livro Velhas histórias, memórias futuras: o sentido da tradição na obra de Paulinho da Viola, de Eduardo Granja Coutinho, pelo selo da Editora da Universidade do Estado Rio de Janeiro, livro no qual Paulinho faz várias referências ao compositor.

Discografia:

(1976) Walter Rosa • Gravadora Abril Cultural • LP
(1973) A voz do samba • Selo Musicolor • LP

Obras:

Primeira figura (com Pepe)
A timidez me devora (com Jorginho Pessanha)
É fracassar (com Esly)
Exaltação ao Barão de Mauá (com Antonio Alves)
Joias das lendas brasileiras (com Antonio Alves)
Legado de Getúlio Vargas (com Silas de Oliveira)
Nem ela, nem tu, nem eu (com Picolino da Portela)
O pior é saber
Peito ferido (com Noca da Portela)
Peso dos anos (com Candeia)
Rio, capital eterna do samba
Só Deus (com Jorginho Pessanha)
Tudo menos amor (com Monarco)
Vai, amor

Biografia:

http://dicionariompb.com.br/walter-rosa
https://www.letradamusica.net/walter-rosa/biografia-artista.html