PAULO DA PORTELA

Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, Era filho de Joana Baptista da Conceição e Mário Benjamin de Oliveira, sendo uma figura fundamental na história cultural brasileira nas décadas de 20, 30 e 40. Paulo da Portela trabalhou como lustrador e participou de pequenas agremiações carnavalescas formadas por operários e funcionários públicos.
Começou a frequentar rodas de samba no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 1920. Compositor, Paulo da Portela fundou com Antônio Caetano e Antônio Rufino dos Reis, o Conjunto Oswaldo Cruz, que depois foi renomeado para Quem nos Faz é o Capricho, Vai Como Pode e, finalmente GRES Portela, em referência à Estrada do Portela.


Em março de 1935, em decorrência dos preceitos morais que o regime político vigente procurava incentivar, o chefe da polícia da Delegacia de Costumes e Diversões, Dulcídio Gonçalves recusou-se a renovar a licença da Vai Como Pode com este nome. Ele considerava a expressão ordinária e indigna às finalidades da associação. Sem conseguir dos sambistas presentes uma pronta sugestão, foi do próprio inspetor a solução, sugerindo a denominação Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela, em homenagem à Rua de Madureira, endereço da sede onde se reunia a nata do samba da comunidade.


Paulo da Portela foi um dos que mais lutaram para mudar a imagem estereotipada e preconceituosa que se tinha a respeito do sambista, de malandro e vagabundo, para a de artista de respeito. Para isso, ele impôs vestuário próprio para sua agremiação, e defendia que todos os portelenses estivessem devidamente vestidos com as cores da escola no dia do desfile. Foi o primeiro presidente da Portela e sua casa foi a primeira sede da escola, muito embora nesta época a sede não fosse nada além de um lugar para guardar os instrumentos.


Em 1937, Paulo da Portela foi eleito Cidadão do Samba. Ainda neste mesmo ano, participou da primeira excursão de sambistas ao exterior, indo ao Uruguai, e retornando ao Brasil já no Carnaval. Apressando-se para participar do desfile daquele ano, desentendeu-se com integrantes da Portela, que não permitiram que seus amigos Heitor dos Prazeres e Cartola, que não estavam devidamente vestidos com as cores da agremiação, desfilassem. Por conta disso, Paulo não desfilou mais nesse ano e após isso se afastou da escola.


Porém, durante as tentativas dos Estados Unidos da América de construir uma "relação de boa-vizinhança" com os seus vizinhos da América do Sul, Paulo da Portela foi escolhido para ser o modelo da criação do personagem Zé Carioca, bem como para representar o samba no exterior. Por conta disso a Portela excursionou pelos Estados Unidos, e acabou sendo apresentada no evento pelo próprio Paulo da Portela.


Após a saída da Portela, ele ainda chegou a liderar a pequena escola Lira do Amor, hoje extinta. Por conta do seu desentendimento com a diretoria da Portela, Paulo compôs "O Meu Nome Já Caiu no Esquecimento" ("chora Portela, minha Portela querida/ Eu te fundei, serás minha toda a vida"). Cartola também fez na ocasião, um samba, "Sala de Recepção" ("Aqui se abraça o inimigo/ como se fosse um irmão").


Depois de sua morte, grupos como o Rosa de Ouro e A Voz do Morro e intérpretes como Paulinho da Viola e Monarco realizaram gravações de suas músicas mais famosas, como "Cocorocó", "Pam-pam-pam-pam", "Guanabara (Cidade-mulher)" e "Quitandeiro". Seu nome é também lembrado em sambas como "Passado de Glória" (Monarco) e "De Paulo da Portela a Paulinho da Viola" (Monarco/ Francisco Santana).


Participativo na política, Paulo da Portela filiou-se ao PTN em 29 de dezembro de 1946, sem nunca, no entanto ter sido candidato a cargo eletivo.
Foi homenageado pela GRES Portela no ano de 1984, no enredo "Contos de Areia", que deu o 21º campeonato do Carnaval do Rio de Janeiro à escola.

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