Osmar do Cavaco
(Osmar Procópio da Silva)

Nasceu no bairro do Caju, em 10 de janeiro de 1931, e faleceu dia 5 de fevereiro de 1999. Filho do músico Laudelino Procópio da Silva, o Lalau, que tocava banjo e cavaquinho, e de Mercedes de Anicetra, Osmar fazia questão, desde menino, de acompanhar o pai nos encontros de chorões, dos quais participavam Jacob do Bandolime Pixinguinha, cujo irmão, Léo era vizinho de seu Laudelino. Do Caju, onde foi criado, mudou-se aos 18 anos ara Marechal Hermes. Foi para a Portela pelas mãos de Casquinha e entrou para a Velha Guarda atendendo a convite de Paulinho da Viola. Dizia Osmar: “Eu sempre tocava meu cavaquinho. O Jair tinha conjunto e saia muito, faltava à beça. Eu ficava lá na Portelinha, tocando. Ali, Paulinho me conheceu e me chamou para fazer o disco e ficar na Velha Guarda. O Jair não tinha tempo”.

Embora promovesse muitas rodas de choro em sua casa, seu Laudelino não queria que Osmar apendesse a tocar. Temia que o filho caísse na vida boêmia e passasse dificuldades. Porém, ao ouvir a gravação do cavaquinho de Osmar, em 1971, acompanhando o samba “Lapa em três tempos”, não se conteve: “Meu filho, você está tocando bem. Não toque por aí pela rua. Não toque em botequins”.

Contrariando os conselhos do pai, Osmar tocou em muitos botequins espalhados pela cidade. Ia a qualquer festa para a qual fosse convidado, sempre sorridente e cantando um samba de Candeia ou de Paulinho da Viola, compositores de sua predileção. Sempre muito solicitado, dizia: “Para mim é maravilhoso fazer parte da Velha Guarda. Sou muito convidado para tocar em outros conjuntos, mas nunca aceito. A Velha Guarda está em primeiro lugar”.

Osmar formou com Jorge do Violão uma dupla inigualável. Candeia fazia questão dos dois em suas apresentações. De 1971 a 1987, Osmar foi o primeiro cavaquinho da Portela. Afastou-se quando Mestre Marçal, diretor de bateria, resolveu levar músicos profissionais para a escola.

Teve cinco filhos, e três mantêm ligação com a música: Serginho Procópio é o herdeiro do pai na Velha Guarda; Valdecir toca cavaquinho amadoristicamente e César é compositor.

Além de suas atividades musicais, Osmar era estofador de mão cheia. Mantinha uma oficina em sua residência, em Marechal Hermes.

 

Fonte: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004.