Monarco
(Hildemar Diniz)

Filho de mineiros – o pai era de Ubá e a mãe de Porto Novo do Cunha –, nasceu em Cavalcante, subúrbio da linha auxiliar, no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1933, exatamente dois anos antes do nascimento de seu parceiro, o grande compositor da Portela, Antônio Candeia Filho, nascido a 17 de agosto de 1935. De Cavalcante, seguiu para a Baixada Fluminense, onde morou alguns anos, até mudar-se para Oswaldo Cruz. O pai, marceneiro de profissão, era comunista e admirador de Luís Carlos Prestes. Publicava poesias no Jornal das Moças e deixou como herança para o filho uma caixa repleta de poemas.

O dom de compor manifestou-se bem cedo. Ainda em Nova Iguaçu, aos 6 anos de idade, Monarco já cantarolava músicas de sua autoria. É bom lembrar que o espírito folião se anunciava ainda na Baixada. Garoto, Monarco integrava o “Bloco da Primavera”. A simpatia pela Portela vinha de longe, e ele afirmava: “Eu era portelense desde Nova Iguaçu. Por força do destino é que fui morar em Oswaldo Cruz”. Antes de se consagrar como compositor, Monarco foi vendedor de palha de aço e peixeiro na feira.

Entrou para a Ala de Compositores em 1951. Antes, foi da Ala do Amigo Urso, a convite de João da Gente, que ficou extasiado ao ouvir o samba “Passado de glória”, uma ode à Portela. Faz parte da Velha Guarda desde o primeiro disco. Esteve afastado algum tempo, por motivo de saúde. É um de seus principais líderes e tem consciência da sua responsabilidade: “Cantar com o grupo da Velha Guarda da Portela representa para mim uma grande honra. Eu me sinto mais seguro ao lado de meus companheiros. É uma luta de longos anos. No meio do grupo eu me sinto bem”. E continua: “A Velha Guarda da Portela é a mais organizada que existe por aí. O próprio Jamelão, da Mangueira, disse isso. Isso vem de longe. Do Paulo passou para o Manaceia. Essa organização ficou e espero que figure para sempre”.

A aproximação de Monarco com os veteranos da Portela sempre foi intensa. Prova disso é que, ainda jovem, convidado a fazer uma apresentação na Serrinha, foi recebido com uma faixa onde se lia: “Monarco e seu pessoal de outrora”. “Eu gostava de andar com aqueles coroas: Juca Redondo, Alcides, Antônio Escurinho”, confessa o compositor.

Monarco tem parceiros ilustres. Em parceria póstuma com Paulo da Portela, compôs “Quitandeiro” e “Este mundo é uma roleta”; com Chico Santana, “De Paulo da Portela a Paulinho da Viola” e “Desdita”; com Walter Rosa, “Tudo, menos amor”; com Alcino Corrêa (Ratinho), “Coração em desalinho” e “Vai vadiar”; com Mijinha, “Fui condenado” e “Sofres por querer liberdade”; com Alcides, “Deixa meu nome em paz” e “Se conforme com o desprezo”. Também são de sua autoria as canções “Portela sem vaidade”, “Passado de glória”, “Homenagem à Velha Guarda da Portela”, “Proposta amorosa” e “Saudades da Portela”.

Gravou individualmente três discos, todos registrados em CD. Suas músicas foram também gravadas pelos principais cantores de samba: Clara Nunes, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila, dentre outros.

Monarco foi presidente de honra da Unidos do Jacarezinho, para a qual compôs dois sambas-enredo: “História de Vila Rica do Pilar” (1970) e “Homenagem a Geraldo Pereira” (1980).

Casado com Dona Olinda, Monarco é pai do consagrado músico e compositor Mauro Diniz, integrante da Velha Guarda da Portela, e do também compositor Marquinhos Diniz.

Monarco tornou-se Presidente de Hora da Portela no ano de 2013, cargo honorário que ocupa até hoje. Como Presidente de Honra, deu o 22º título da história da Portela. Recebeu, em 2015, o Prêmio da Música Popular Brasileira, o mais importante atualmente.

 

Fonte: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004.