MARIA LATA D'ÁGUA

 

Maria Mercedes Chaves. Esse é o nome de batismo de Maria Lata D'Água, uma das mais célebres passistas da Portela, escola em que desfilou por 45 anos. Apesar de uma vida de grandes perdas e privações, Maria marcou o carnaval do Rio de Janeiro, caracterizado pelo bom humor ao lidar com as próprias vicissitudes.

Nascida em Diamantina (MG), em 1933, Maria foi morar no Rio antes de completar 13 anos. Começou a participar dos desfiles em 49, quando saiu pelo Salgueiro, ainda sem a personagem. Mais tarde, foi trabalhar em um circo, onde tudo começou. Em entrevista, ela lembra desse começo:“Um dia nos convidaram para trabalhar num circo, em Nova Iguaçu (RJ), para encher lingüiça até os grandes artistas chegarem, mas eles não chegaram. O circo estava cheio e o patrão não sabia o que fazer. Disse que poderia dançar com uma lata d'água na cabeça. Ele não concordou. Tinha outra Maria da Bahia, que dançava igual. Eu disse que fazia melhor. Ele pediu show de 2 horas e, no fim, deu certo”.


Pouco tempo depois do sucesso no circo, Maria foi apresentar a dança no programa do Chacrinha. “Eu fiquei no trono do programa dele e passei a ser conhecida na cidade. Todo mundo dizia: 'Maria Lata D'água'. Até que um dia me convidaram para sair numa escola de samba”, lembra a passista, que já havia saído por diversas outras escolas, mas sem posição de destaque.

O convite foi feito pelo Salgueiro. A escola, contudo, inexplicavelmente, não aceitou que ela saísse com a lata d'água. Foi quando a Portela a convidou para um show. Resultado: foi aprovada e desfilou durante 45 anos na escola . “Viajei, morei na Europa durante 30 anos, mas todos os anos eu voltava e desfilava na Portela”.

A Maria Mercedes Chaves não desfila desde 1991, quando ingressou na Comunidade Canção Nova. Desde então, ela afirma que não teve mais coragem de desfilar. Maria Lata D'Água permanece, contudo, nas antigas imagens e no samba “Lata D'Água”, de Luís Antonio e J. Júnior, de 1952.

Lata d'água
(Luís Antonio e J. Júnior)

Lata d'água na cabeça
Lá vai Maria
Lá vai

Maria
Sobe o morro e não se cansa
Pela mão
Leva a criança
Lá vai Maria

Maria
Lava a roupa
Lá no alto
Lutando pelo pão
De cada dia
Sonhando com a vida
Sonhando com a vida
Do asfalto
Que acaba
Onde o morro principia
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Fonte.: internet