MANACEIA

Manaceia (Manacé José de Andrade), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1921 e faleceu em 10 de novembro de 1995. Irmão dos sambistas Aniceto e Mijinha, com cinco anos já frequentava os grupos que deram origem ao G.R.E.S. da Portela, e aos oito já participava dos desfiles. Pouco depois passou a tocar tamborim na bateria.

Começou a compor aos 18 anos e, graças à influência de Mijinha, teve seu primeiro samba cantado na Portela. Sua primeira música gravada foi “Minha querida” (com Francisco Santana), em 1957. No período entre 1942 e 1952, compôs alguns sambas-enredo para a Portela, dentre os quais “Descoberta do Brasil” (com Risadinha) em 1952.

Chegou às paradas de sucesso em 1974, com a regravação feita por Cristina Buarque, de seu samba “Quantas lágrimas”, que havia passado despercebido quando gravado por Paulinho da Viola, em 1970, no LP da RGE, Portela, passado de glória, que reunia a Velha Guarda da escola. Este samba seria o maior sucesso do compositor e da cantora. Dois anos depois, Cristina Buarque, em seu segundo disco, gravou mais duas composições de sua autoria: “Carro de boi” e “Sempre teu olhar”. Ainda em 1976, Luiza Maura lançou pela gravadora Beverly o disco “Recado de samba”, no qual incluiu de sua autoria “Minha rainha” e “Vem amor”. É também autor de “Desengano”, música gravada por Beth Carvalho e quase sempre atribuída, erroneamente, a Aniceto do Império. Participou de shows no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Seus maiores sucessos incluem “Sempre teu amor” (1962), “Volta meu amor” (1977), “Carro de boi” (1978), “Quando quiseres” (1981) e “A natureza” (1983), dentre muitos outros.

Desde criança frequentou os blocos carnavalescos “Quem fala de nós come mosca”, “Quem nos faz é o capricho” e “Vai como pode”, que mais tarde iriam originar o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela. Com a fundação da Portela, lá começou a tocar tamborim. Em 1939, começou a compor. Neste mesmo ano, a Portela desfilou, cantando um samba de sua autoria. Foi apresentado à Ala de Compositores da Portela por Alvaiade, então presidente desta ala e responsável pelo lançamento de diversos outros compositores, como Francisco Santana e Candeia. Em 1942, começou a compor sambas-enredo para a Portela. No ano de 1948, a Escola classificou-se em terceiro lugar com um samba-enredo de sua autoria, “Princesa Isabel”. No ano seguinte, “O despertar do gigante”, samba de sua autoria, classificou a escola em terceiro lugar.

No ano de 1950, compôs o samba-enredo “Riquezas do Brasil”, classificando a escola em segundo lugar. Dois anos depois, compôs “Brasil de ontem”, mas o desfile foi anulado e a escola não obteve classificação. Em 1957, gravou sua primeira música, “Minha querida”. No ano de 1970, participou (fazendo parte da Velha-Guarda da Portela) do disco Portela, passado de glória, onde interpretou várias composições e Paulinho da Viola.

No ano de 1977, Beth Carvalho regravou “Carro de boi”, no LP Nos botequins da vida, lançado pela RCA Victor. Neste mesmo ano, Luiza Maura, no disco Samba pé no chão" interpretou “Manhã brasileira”. Ainda em 1977, Jacyr da Portela interpretou “Portela, você me trouxe paz” (com César Saraiva), do LP Coletânea Primeiro botequim: Os partideiros. Em 1979, Beth Carvalho, no disco No pagode, incluiu “Obrigado pelas flores”, parceria de Manaceia e Monarco. No ano de 1983, novamente Beth Carvalho, em seu LP Ao vivo, regravou “Carro de boi”. Dois anos depois, em 1985, Cristina Buarque regravou "Quantas lágrimas", no disco "Cristina e Mauro Duarte", lançado pela Comusa (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro).

No ano de 1986, o produtor japonês Katsunori Tanaka produziu para o mercado japonês (selo Office Sambinha) o LP Doce recordação, da Velha Guarda da Portela. Neste LP, interpretou diversas composições e ainda de sua autoria, como “Flor do interior”, composição em homenagem à Clara Nunes, falecida em 1983. Em 1988, Beth Carvalho gravou ‘Sempre teu amor’, no disco Alma do Brasil, pela gravadora Philips. Cristina Buarque, em 1990, o convidou a participar da gravação do CD Resgate. Neste disco, feito para o mercado japonês, o compositor participou da faixa “Amor perdido”, de sua autoria. Em 1994, o CD "Resgate" foi editado no Brasil, pela gravadora Saci.

No ano 2000, a cantora e compositora Marisa Monte produziu o CD Tudo azul, da Velha-Guarda da Portela. Neste disco, com arranjos de Paulão Sete Cordas, a cantora interpretou “Volta meu amor”, de Manaceia em parceria com sua filha Áurea Maria, pastora da Velha-Guarda. Ainda neste disco, apareceu outra composição de sua autoria, “Sempre o teu amor”. Neste mesmo ano, Marquinhos de Oswaldo Cruz, no disco Uma geografia popular, lançado pela Rob Digital, interpretou “Minha querida” e “Manhã brasileira”. Ainda neste ano, Doce recordação (Velha Guarda da Portela) foi relançado no Brasil pela gravadora Nikita Music.

Em 2003, sua composição “Quantas lágrimas” foi incluída no CD Alma feminina, de Eliane Faria, lançado pelo selo ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin).

Manaceia permanece como um dos maiores nomes da história do samba no Brasil e da Portela.

Fonte: http://dicionariompb.com.br/manaceia/bibliografia-crítica

*Agradecimento especial a Áurea Maria de Almeida Andrade, pelos esclarecimentos e pela gentileza.