Jorge do Violão
(Jorge da Conceição)

Nasceu em 30 de maio de 1930, em pureza, distrito de São Fidelis (RJ), e morreu em 17 de julho de 1999. O pai, Antenor Francisco de Oliveira, trabalhou na Light, como condutor de bondes. Em 1939, ao chegar à casa e saber que a esposa não jogara na vaca como pedira, abandonou a família e nunca mais foi visto, deixando a mulher com cinco filhos, entre eles Jorge. Queria, com o lucro da aposta, voltar para Pureza, junto com a família.

Aos 8 anos, Jorge do Violão veio com a família para o Rio de Janeiro e foi morar no Morro da Favela, região da Central do Brasil, importante área para a história do samba. O nome se deve à migração das famílias pobres para aquela área de encosta na Central do Brasil, devido à destruição, em 1893, do cortiço conhecido como “Cabeça de Porco”, que chegava a abrigar 4000 famílias. O termo “Morro da Favela” surgiu após a Guerra de Canudos, onde ficava o Morro da Favela original, e se deve a uma planta, conhecida como faveleira, farta na região do conflito. Alguns dos soldados da Guerra de Canudos, ao regressarem vitoriosos ao Rio em 1897, não receberam o prometido soldo e foram invadindo uma antiga chácara, com o apoio de um oficial, no Morro da Providência, que ganhou então o “apelido” referente a Canudos.

Na Favela, Jorge conheceu o pessoal do conjunto “Nosso Samba”. Aprendeu a tocar cavaquinho com Manuel Nicolau, amigo de sua mãe, que o presenteou com o instrumento. Em 1939, já servia cafezinho na sede do Departamento de Portos e Vias Navegáveis, na Praça Mauá, onde foi admitido oficialmente em 1943. Foi cabineiro e funcionário exemplar até se aposentar.

Ainda jovem, apresentou-se nos programas radiofônicos de Ari Barrosos, Renato Murce, Aérton Perlingeiro e Jorge Curi. Da Favela, foi para o Jacarezinho, e depois para Duque de Caxias. Voltou para a Favela e, de lá, mudou-se para Realengo. Estabeleceu-se em Oswaldo Cruz, em 1961, ano em que foi formado o conjunto “Mensageiros do Samba”, do qual era o violonista.

Jorge do Violão acompanhou grandes artistas, entre eles Elisete Cardoso, Clara Nunes, Martinho da Vila, Candeia e Roberto Ribeiro. Fez parte da Velha Guarda da Portela nas décadas de 1970 e 1980, quando, impedido pelo diabetes, teve que sair. Formou com Osmar do Cavaco uma dupla constante. Tocavam até “por pensamento”.

Seu violão 7 cordas proporcionou-lhe a satisfação de realizar seus três maiores desejos: tocar com Elisete Cardoso, viajar de avião e conhecer a Bahia. Temperamental, Jorge aborreceu-se na Portela e desfilou em outras escolas: na Vila Isabel, a convite de Martinho da Vila, e na Império Serrano, a convite de Roberto Ribeiro.

Na adolescência, alimentou uma grande paixão por uma moça do Jacarezinho. Não tendo sido aceito pela família da jovem, decidiu jamais casar-se. Solteiro de registro civil, Jorge teve algumas companheiras que lhe deram filhos.

 

Fonte: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004.

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