Jair do Cavaquinho
(Jahyr de Araújo Costa )

A vida de Jair do Cavaquinho está intimamente ligada à história da Portela. Nasceu em Oswaldo Cruz, em 26 de abril de 1920, na Rua Arruda Câmara (atual Rua Clara Nunes), onde se localiza o Portelão.

Desde criança, Jair acompanhava de perto Rufino, Alvarenga e Alvaiade, que tocavam cavaquinho e violão. Por isso resolveu fazer o seu próprio instrumento: aos 6 anos, criou um cavaquinho de tábua e cordas de arame. Já nesta idade, passou a ser a mascote da portela. Foi casado com dona Tereza, com que tem nove filhos.

Jair Morou no bairro Jardim América, onde foi vizinho de Nelson Cavaquinho. Foi funcionário da Secretaria Municipal de Obras do Rio de Janeiro.

Jair lembra-se do famoso bloco “Vai como Pode”, de Oswaldo Cruz: “Não tinha bateria. Os músicos eram Benício (clarinete), Mundico (trombone), Caetano e Eusébio (violões) Bida (flauta) e Nonô (violino). Só havia um pandeiro para fazer o ritmo”.

Integrou diversos grupos de samba, entre os quais “Os cinco crioulos”, com Elton Medeiros, Nelson Sargento, Anescarzinho e Paulinho da Viola, e “A voz do Morro”, com Anescarzinho, Zé Kéti, Zé Cruz e Oscar Bigode.

Entrou para a Velha Guarda após a morte de Manaceia. Perfeitamente entrosado, Jair confessa:
“A Velha Guarda é uma das mais organizadas e disciplinadas, graças à força de vontade de todos os componentes. Toda apresentação da Velha Guarda tem público certo. Às vezes até nos emocionamos”.

Compôs muitos sambas famosos, dentre os quais, os clássicos “Pecadora” (parceria com Joãozinho da Pecador); “Vou Partir”; “Eu e as flores”; “Enquanto a cidade dorme” (parcerias com Nelson Cavaquinho); “Ele deixou (parceria com Nelson Sargento, gravado por Elisete Cardoso); “Ana”: “Barracão de zinco”; e a belíssima valsa “Eu te quero” (parceria com Colombo).

Para o jornal O Globo, “Jair do Cavaquinho costumava falar que tinha o samba na veia. Sua história se confunde com a própria história da Portela. Reverenciado e conhecido como sambista, sua primeira composição, "Você Não Soube Ser Mulher", foi gravada em 1958. Entretanto, apenas em 2002 ele conseguiu lançar o seu primeiro disco individual, Seu Jair do Cavaquinho. Suas composições foram gravadas por grandes nomes do samba como Marisa Monte e Elizeth Cardoso.

Jair do Cavaquinho morreu no dia 06 de abril de 2006. Um dos exemplos de sua poesia simples e tocante é a de “Eu e as rosas”:

As rosas, muitas rosas
Não saem da minha imaginação
É a rosa da saudade
Rosa da esperança, rosa da compreensão

 

Fontes: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004
https://oglobo.globo.com/rio/morre-jair-do-cavaquinho-da-velha-guarda-da-portela-4590250#ixzz4uYA7ai8s