Guaracy
(Guaracy de Castro )

Filho de Crispin de Castro, antigo jogador do Bangu, e de Juracyna Conceição de Castro, nasceu no Rio de Janeiro, em 05 de março de 1939. Aprendeu a tocar instrumentos de cordas com os primos, no bairro da Boca do Mato, na Serra dos Pretos Forros, onde se tornou amigo de Martinho da Vila. Antes de abraçar a carreira de músico e compositor, Guaracy foi cabo da Aeronáutica. Casado, foi pai três filhos.

No início da carreira, tocou em programas de rádio e participou de diversos conjuntos regionais. Começou tocando banjo, passou sucessivamente ao cavaquinho, ao violão 6 cordas e, por fim, ao violão 7 cordas, por sugestão do grande Jacob do Bandolim, que admirava a velocidade da sua mão direita, hábil nos bordões. Passou a ser conhecido como Guaracy 7 Cordas.

Entrou para a Velha Guarda da Portela em 1994, em substituição a Jorge do Violão, a convite de Osmar do Cavaco. Na sua opinião, a Velha Guarda da Portela está preparada para representar o Brasil em qualquer circunstância, e é o conjunto de samba mais organizado que conhece.

Como compositor, começou com Noriel Vilela, com quem criou “O presente”, conhecida como “Zi Mureque”. É autor de várias outras composições: “Professor, meu professor” (parceria com Valdomiro Rodrigues); “A grande felicidade” (parceria com Rossini Pinto); “Baba de quiabo” (parceria com Darcy Amaral); e “Maria pequena” (parceria com Roberto Nepomuceno). Algumas de suas canções foram gravadas por Elza Soares, Pedrinho Rodrigues e Núbia Lafayette.

Amigo de Candeia e Martinho da Viola (companheiro desde a época da Boca do Mato), acompanhou nomes como Elza Soares, Bezerra da Silva e Dona Ivone Lara, dentre outros. Guaracy morreu em uma quinta-feira, dia 27 de julho de 2017, após a luta contra um câncer. Guaracy foi membro do Conselho Deliberativo da Portela.

Sobre sua morte, Monarco nos conta: “Perdemos um grande amigo da Portela e da Velha Guarda. Ele tinha uma disciplina impressionante. Acho que o Guará, como a gente chamava ele, era o retrato perfeito do Paulo da Portela, pois seguia todos os ensinamentos de um bom sambista. Nunca levantou a voz para ninguém. Estamos muito sentidos, porque perdemos um grande aliado do samba e da Portela. Guará era muito querido no meio musical. Meu filho Mauro (Diniz) adorava ele, assim com o Zeca (Pagodinho), que costumava chamar o Guará para tomar um “tira-mágoa”, que era geralmente uma cerveja. Lembro que quando ele entrou para a Velha Guarda foi por unanimidade”.

Tia Surica assim lamenta a morte do sambista: “Viajamos muito pelo Brasil e pela Europa. Era uma pessoa muito boa e um grande músico. É uma grande perda para a Velha Guarda e para o samba. Estou muito triste”.

Para o presidente Luis Carlos Magalhães, a morte de Guaracy é uma “enorme perda para a Portela”: “A Velha Guarda Show da Portela é um patrimônio do samba, da própria Portela e da cultura brasileira, por isso sentimos muito quando um membro do grupo se vai. Lamento muito a morte do Guaracy e me solidarizo com toda a família dele e os amigos. É uma enorme perda para a Portela”.

Sobre sua perda, assim fala a filha do músico, Luciene de Castro: “Acho que até pode existir um pai tão bom quanto o meu, mas acho que nunca haverá um melhor do que ele. Foi um pai maravilhoso e muito carinhoso, sempre dedicado à família. A Portela era sua grande paixão, além da música”.

 

Fontes: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004
https://oglobo.globo.com/rio/morre-guaracy-de-castro-musico-da-velha-guarda-da-portela-aos-78-anos-21638121#ixzz4uY0eXMJ9