CASQUINHA
(Otto Henrique Trepte)

Nasceu em Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro, em 1º de dezembro de  1922, filho de um alemão  com uma negra.  Antes de chegar à Portela, com mais ou mentos 10 anos, Casquinha morou em Anchieta.  Lembra-se  que, na ocasião, avistou o bloco de sujo da Portela, onde se destacavam a enorme navalha de pau de Nozinho e o samba  entoado por Paulo da Portela:

Quem nos trouxe aqui
Foi quem deu um golpe errado
Pois agora nossas pastoras
Estão com os pés molhados

A Maior paixão de Casquinha sempre foi o futebol.  Foi center-half (meio-campo, como se diz hoje) do poderoso time do Oposição, onde jogava Ipojucan, que mais tarde se consagrou no Vasco.

Trabalhou como  bancário e frequentava  a Portela esporadicamente.  Assitia a um ensaio ou outro em companhia da mulher, Dirce, e da filha mais velha.

Em um domingo de  1947 ou 1948, a convite de Candeia, foi à Portela prestigiar um samba do amigo, que seria apresentado no terreiro da escola.  Em  determinado momento, Candeia afastou-se para ouvir de longe a corneta do auto falante e avaliar o som, deixando  o microfone nas mãos de Casquinha.  Na volta, Candeia disse ter gostado da voz  do amigo e pediu a Ventura que o deixasse ficar na Ala de Compositores.  Ventura perguntou, então, se Casquinha compunha.  Como Candeia respondeu afirmativamente,  Ventura solicitou que o candidato mostrasse dois sambas como teste.  Casquinha, que nunca havia composto antes, foi obrigado a invocar a sua musa inspiradora para,  no dia marcado, apresentar suas músicas:  Vem, amor e Indecisão, esta em parceria com Candeia.  Surgira assim um belo compositor e uma  bela parceria, consagrada poucos anos mais tarde.

O nome de Casquinha esta diretamente vinculado ao de Paulinho  da Viola.  Ao chegar à Portela, o jovem Paulinho deixou uma primeira parte para que um veterano fizesse a segunda.  Casquinha imediatamente completou o samba:  Recado.   Paulinho da Viola assim caracteriza o parceiro:  " Casquinha é irreverente, gozador, brincalhão e uma das pessoas mais generosas que já conheci".

Nos anos  1960, Casquinha, Arlindo, Candeia, Bubu, Jorge do Violão, David do Pandeiro, Picolino e, mais tarde, Casemiro formaram o  grupo Mensageiros do Samba, que em  1996 gravou um disco pela Poly-dor, contendo seis  músicas de Casquinha.

Casquinha pertence desde o início ao grupo da Velha Guarda.  É autor de vários sambas gravados pelos mais expressivos intérpretes: Clara Nunes, Beth Carvalho, Joâo Nogueira, Zeca Pagodinho e Candeia, que o citou publicamente como parceiro predileto.

Dono de humor refinado, é bastante versátil no  palco por seus dotes teatrais e também um dos últimos cultores do samba sincopado.

Entre os seus inúmeros sambas destacam-se: Recado (parceria com Paulinho da Viola); Outro Recado, O ideal é competir e Falsas juras ( pareceria com Candeia); A chuva cai e Gorjear da passarada (parceria com Argemiro); Preta Aloirada, Dendeca de briga, Sonho do escurinho,  Sinal aberto e Coroa avançada (parceria com Dolino); e  Meu bairro.

É autor  do samba-enredo da Portela para o carnaval de  1957, denominado Brasil, pantheon de glórias, em parceria com Candeia , Valdir 59, Altair Prego e Bubu.

 

Fonte.: Livro - A Velha Guarda da Portela
João Baptista M. Vargens & Carlos Monte