Casemiro
(Casemiro Vieira)

Nasceu em São João de Meriti, em 04 de março de 1921. Exerceu a profissão de ladrilheiro e teve três filhos. Tocou cuíca na bateria da Portela durante muitos anos. Em um desfile, conseguiu o feito heroico de acertar a bateria da escola, que havia atravessado o ritmo ao desviar-se de uma enorme poça na pista. Casemiro e a sua cuíca ficaram de frente para o grupo até a harmonia ser recuperada. Incorporou-se à Velha Guarda da Portela no início dos anos 1980, em substituição a Olímpio. Segundo Casemiro, "o segredo do instrumento é saber encourar, saber marrar a vaqueta da cuíca, a marca do passo". Afirma que “a maioria dos cuiqueiros de hoje não sabe disso". Casemiro afirma que “a afinação da cuíca da Velha Guarda é diferente de todas as outras”.

Na sua opinião, o maior cuiqueiro que já se ouviu tocar foi o Boca de Ouro, da Lapa, e destaca como baluartes da Velha Guarda Monarco, Casquinha e Manaceia. Nos shows do grupo, Casemiro é apresentado por Casquinha como o ‘Leão da Cuíca’. Sua composição “Tentação”, parceria com Ramon Russo, foi gravada no CD Tudo azul.

Era homem de forte teimosia, que marcava a sua personalidade, como conta Monarco: “Casemiro usava querosene ao invés de água para tocar cuíca e o pessoal da Velha Guarda não gostava muito do cheiro forte que ficava no ambiente”. Acontece que surgiu um show para a Velha Guarda fazer em Paris, mas antes da viagem, o Monarco foi ao Casemiro e pediu para que ele não levasse o vidrinho de querosene, temendo qualquer problema no aeroporto, por conta do esquema antiterrorismo que alarmava o mundo naquele período. Apesar do pedido, quando chegaram em Paris, lá estava Casemiro com seu vidrinho de querosene.

Casemiro faleceu no dia 8 de janeiro de 2009, dois meses antes de completar 90 anos.

 

Fontes: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004.

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