Cabelinho
(Walter Silva de Vasconcellos Chaves)

Nasceu em 4 de junho de 1948, no Largo dos Guimarães, no bairro de Santa Teresa. Começou ainda criança tocando surdo no bloco “Vai quem quer”, do bairro do catumbi. Cabelinho casou-se muito jovem, aos 16 anos, com Laura, descendente de família portelense, e passou a desfilar pela escola. Sua sogra era da ala das baianas, e seus cunhados, Cacilda e Miguel, levaram-no para a bateria quando tinha 18 anos. Submetido a um teste por Betinho, diretor da bateria, foi aprovado e, em 1968, desfilou integrando a Tabajara do Samba, como era conhecida a bateria da Portela, defendendo o enredo “Tronco do Ipê”. Nunca mais se afastou.

Na bateria, Cabelinho toca o surdo de terceira. Excelente ritmista, tendo se apresentado em diversos países, Cabelinho integrou por muitos anos o conjunto Nosso Samba. Acompanhou Clara Nunes e fez parte do seleto grupo de músicos de Paulinho da Viola. Em 1971, a convite de Candeia, participou da gravação do disco Raiz, produzido por Adelzon Alves. No mesmo ano, convidado por Genaro e Gordinho, componentes do conjunto Nosso Samba, integrou o grupo de ritmistas que gravou o primeiro disco de samba-enredo das escolas de samba produzido por Norival Reis para a gravadora Equipe. Participou de muitas gravações e tocou vários instrumentos de percussão. Gravou com as cantoras Simone, Marisa Monte e outros artistas consagrados.

Orgulhoso de integrar a Velha Guarda, para a qual entrou em 1975, a convite de Casquinha. Cabelinho esteve presente em todas as gravações do grupo, com exceção do disco de estreia, em que o surdo foi entregue a Casquinha, seu “pai artístico”.

Considerava-se, ao lado de Gordinho, do conjunto Nosso Samba, o melhor tocador de surdo da praça. Por não ouvir muito bem, é conhecido como “Beethoven da música popular brasileira”. Graças às suas virtudes rítmicas, Cabelinho pôde abandonar o emprego no jornal O Dia, onde, entre outras funções, era responsável por apanhar os resultados das corridas do Jockey Club Brasileiro.

Cabelinho era senhor de si e, ao mesmo tempo, humilde: “Eu toco surdo de coração. O importante para tocar surdo é a pulsação. Quem tem a pulsação sou eu e o Gordinho, mas Manaceia me ensinou muito”. E Paulinho da Viola acrescenta: “Cabelinho é doce, excelente ritmista e passista. Carrega com ele uma parte do universo da Portela, no modo de falar, no modo de ser”.

Cabelinho morre em 9 de fevereiro de 2016, após sofrer dois acidentes vasculares, na noite de um domingo, um dia antes de sua amada Portela entrar na avenida. Deixou mulher e dois filhos. Sobre ele, escreveu-se em O Globo: “Econômico nas palavras, o músico Walter Silva de Vasconcellos Chaves, o Cabelinho, quebrava o silêncio com o surdo, instrumento que o acompanhou durante toda sua trajetória na Portela desde menino, quando era bem franzino. “Um garoto na Velha Guarda? Quem vai carregar o surdo para ele? Falavam, com ceticismo, os integrantes da escola. Foi ele mesmo quem carregou, e fez mais. Conquistou a confiança dos ritmistas, despertou interesse de ídolos e carimbou seu passaporte para a Sapucaí”.

 

Fontes: VARGENS, João Baptista M; MONTE, Carlos Monte. A Velha Guarda da Portela. 2. ed. Rio de Janeiro: Manati, 2004
OLIVEIRA, Paulo C. S. www.portelamor.com. Em 02 de setembro de 2017, pesquisas em O Globo e sites de Internet.