ALVAIADE
(Oswaldo dos Santos)

 

Nasceu na Estrada do Portela, em 21 de dezembro de 1913, no bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro, e faleceu em 23 de junho de1981, sendo enterrado no Cemitério de Irajá. Ficou órfão aos cinco anos. Começou a trabalhar como tipógrafo aos 13 anos. O apelido de Alvaiade lhe foi dado por companheiros de futebol, atividade a que esteve ligado durante muito tempo, inclusive jogando pelo time da Portela. Atuou também na Associação Atlética Portuguesa. Um dos fundadores da UBC (União Brasileira de Compositores), Alvaiade tocava diversos instrumentos de percussão e cavaquinho.

Em 1928, Paulo da Portela o convidou a integrar a Escola de Samba Vai Como Pode, que mais tarde se chamaria Portela. Integrou a Ala de Compositores da Portela, escola onde exerceu diversas funções, inclusive administrativas.

Em1926, compôs seu primeiro choro, “O que vier eu traço”, em parceria com Zé Maria, gravado posteriormente por Ademilde Fonseca. Naquela época, revelou suas qualidades de sambista e de orador habilidoso, sendo designado, na ausência de Paulo da Portela, a receber os convidados ilustres ou a representar a escola nas visitas a outros redutos.

Inicialmente, apresentava-se acompanhando outros compositores, tocando cavaquinho de centro. Mais tarde, passou a compor para a escola. Em 1942, em parceria com Bibi, seu samba-enredo “A vida do samba” classificou a escola em 1º lugar. No ano seguinte, em parceria com Nílson, compôs o samba-enredo “Brasil, terra da liberdade”, com o qual a Portela venceu o desfile daquele ano. No ano de 1947, outra vez a Portela foi campeã com um samba de sua autoria, “Honra ao mérito” (em parceria com Ventura). Participou de vários espetáculos no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro, na década de 1960, sempre tocando cavaquinho e cantando suas composições.

Foi o responsável pelo lançamento de diversos compositores, entre eles Manaceia, Walter Rosa, Candeia e Chico Santana. Dentre suas músicas mais conhecidas, destacam-se “Marinheiro de primeira viagem”, lançada pela dupla Zé e Zilda, gravada também por Jorge Veiga, em 1961; “Embrulho que eu carrego” e “Banco de réu”, as duas em parceria com Djalma Mafra. Compôs com Chico Santana “Vida fidalga”, samba incluído no LP Portela, passado de glória, de 1970.

Em 1981, Cristina Buarque o homenageou, ao incluir em seu LP Cristina, pela Ariola, a canção “Vida de rainha” (com Monarco), gravada com a Velha-Guarda da Portela. No ano de 1986, Katsunori Tanaka produziu para o mercado japonês o LP Doce recordação: Velha Guarda da Portela, no qual foi incluída de sua autoria a composição "Para o bem do nosso bem". Em 2000, Doce recordação foi relançado para o mercado brasileiro, pela gravadora Nikita Music.

No ano de 2002 foi lançado o livro Velhas histórias, memórias futuras (Editora da Uerj), de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz várias referências ao compositor. Entre suas intérpretes está Baby Consuelo, que regravou “O que vier eu traço” (parceria com Zé Maria), fazendo sucesso no ano de 1981. Dentre suas composições, destacam-se:

A vida do samba (com Bibi).
Baleiro.
Banco de réu (com Djalma Mafra).
Brasil, terra da liberdade (com Nílson).
Deus me ajude (com Estandilau Silva e Humberto de Carvalho).
Embrulho que eu carrego (com Djalma Mafra).
Eu chorei (com Alcides Loque).
É mato (com Wilson Batista e Ary Monteiro).
Honra ao mérito (com Ventura).
Marinheiro de primeira viagem.
O que vier eu traço (com Zé Maria).
Para o bem do nosso bem.
Vida de rainha (com Monarco).
Vida fidalga (c/ Chico Santana).

 

fonte.: Berço do samba