Conforme registra a História, no ano de 1920 havia em Oswaldo Cruz dois blocos carnavalescos, o “Baianinhas de Oswaldo Cruz” e o “Quem Fala de Nós Come Mosca”. Antônio Rufino, Candinho, Galdino Marcelino dos Santos, Antônio Caetano e Paulo Benjamin de Oliveira (o Paulo da Portela), além de Claudionor Marcelino, irmão de Gaudino José da Costa, Álvaro Sales, Angelino Vieira, Manoel Barbeiro, Alfredo Pereira da Costa, Carminha, Benedito do Braz, dentre outros, eram seus mais conhecidos representantes. Este bloco era composto somente por adultos, enquanto que o “Quem Fala de Nós Come Mosca” vinha com uma formação de crianças, motivo pelo qual saía apenas durante o dia. Já o “Baianinhas” desfilava à noite.


O Dicionário Cravo Alvim da Música Popular Brasileira nos conta que em 1923 seria fundado, embaixo de uma jaqueira na casa de seu Napoleão, pai de Natal da Portela, do bloco carnavalesco Conjunto Oswaldo Cruz, , fusão dos blocos “Baianinhas” e “Come Mosca”. Seus representantes principais eram Paulo Benjamim de Oliveira, Antonio Caetano, Antonio Rufino e Natalino José do Nascimento. A primeira Junta Governativa era formada por Paulo da Portela (Presidente), Antônio Caetano (Secretário) e Antônio Rufino (Tesoureiro). Natal, à época, era somente ligado ao futebol, mas, como amigo de Paulo Benjamin de Oliveira, esteve presente na fundação.

Uma curiosidade na criação de nossa Portela é o fato de que o batismo da escola teria sido realizado por dona Esther Maria de Jesus (do Bloco “Come Mosca”), que consagrou Nossa Senhora da Conceição (Oxum) como madrinha e teve São Sebastião (Oxóssi) como padrinho da escola. Por conta dessa tradição, no dia 20 de janeiro de cada ano a Portela sai às ruas em devoção a São Sebastião. Como Nossa Senhora da Conceição é atualmente a padroeira da escola, São Sebastião se tornou o protetor da bateria portelense.

Dona Ester Maria de Jesus era também chamada, por alguns, de Ester Maria de Rodrigues e era casada com Euzébio Rocha. O casal era folião do “Cordão Estrela Solitária”, sendo dona Esther sua porta-estandarte. Chegaram em Oswaldo Cruz no início do século XIX e moraram na Rua Joaquim Teixeira, local onde fundaram o bloco “Quem Fala de Nós Come Mosca”, que teria sido o precursor da Portela. Dona Ester era conhecida por ser uma grande e famosa festeira em Osvaldo Cruz. Suas festas eram antológicas e podiam durar dias, com gente de todas as classes, vinda da cidade inteira:, políticos, artistas, sambistas do Estácio, considerados os bambas da época, além do povão em geral.

Dona Esther era uma espécie de Tia Ciata da Praça Onze. Ali, o samba reinava. Por conta de seu bom relacionamento com os políticos, à moda de Tia Ciata, seu bloco era legalizado, funcionando inclusive com alvará e licença, o que evitava problemas com a polícia. O “Quem Fala de Nós Come Mosca” só desfilava em Oswaldo Cruz.

Como alguns historiadores afirmam ter sido Paulo da Portela o verdadeiro fundador da escola, fica aqui o registro de mais esta bela história da formação da nossa querida Azul e Branco.

Polêmicas à parte, quer seja de dona Esther ou de Paulo da Portela a origem da escola de Oswaldo Cruz e Madureira, a Portelamor vem prestar essa homenagem a dois ícones históricos de nossa fundação, histórias de vida que se confundem com a história dos bairros que consagraram a Majestade do Samba como a grande campeã do carnaval carioca.