Cidade do Samba sedia acalorado debate sobre arte de casais de mestres-sala e portas-bandeiras

 

Por Guilherme Ayupp

O dia nacional do mestre-sala e da porta-bandeira, comemorado nesta sexta, foi celebrado em um debate na Cidade do samba neste sábado, com a presença de importantes personalidades do carnaval e artistas do bailado do passado, presente e futuro. O debate fez parte do I Encontro Nacional dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. Organizado pela respeitada e consagrada Selminha Sorriso a conversa tomou toda a manhã e início da tarde quente na fábrica de sonhos do carnaval carioca.

Compuseram a mesa oficial, além da própria Selminha, nomes como Elmo José dos Santos, Milton Cunha, Manoel Dionísio, Aydano André Motta, José Carlos Machine, Célia Domingues, Rita Freitas, dentre outras personalidades convidadas. Na plateia nomes importantes do cenário atual, como Marlon Lamar, Lucinha Nobre, Claudinho, Fabrício Pires, Rafaela Theodoro, Amanda Poblete, Roberta Freitas, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane.

Com a proposta de debater a arte do bailado a mesa de debates teve momentos acalorados e algumas saias justas entre debatedores e integrantes da plateia. Em sua fala, Manoel Dionísio, presidente da escola de mestres-sala e portas-bandeiras fez duras críticas aos coreógrafos dos casais e às figuras dos mestres de cerimônia.

– O que acho que está se perdendo o brilho do casal. Ali a figura máxima são os dois, seja no desfile ou em apresentações ao longo do ano. Esses coreógrafos que ensaiam casais estão tirando muito da tradição da dança e alguns mestres de cerimônia não podem querer aparecer mais que o casal. Posso falar que tem muito diretor de harmonia que não compreende a maneira correta de se comportar na hora da apresentação do casal. Isso precisa ser revisado – disparou Dionísio.

Com anos de experiência no bailado de mestre-sala Jerônymo da Portela fez um alerta em que comparou a orientação sexual de alguns sambistas com suas funções dentro de alguns segmentos fundamentais nas escolas de samba.

– O mestre-sala e o passista são personagens que o sambista precisa interpretar, seja na avenida ou na quadra e em apresentações. A vida pessoal e a orientação sexual de cada um não diz respeito a quem quer que seja, só que ali no exercício da função deve ser respeitada a liturgia do cargo que é de cortejo e respeito ao pavilhão, com uma dança malandreada e não sensualização feminina. Isso precisa vir de base, mas as escolas de samba hoje não fazem jus ao nome de escolas pois não ensinam nada – opinou.

Para José Carlos Machine, síndico da passarela e responsável pela garantia do espaço para o bailado do casal em ensaios e desfiles, a postura de alguns casais precisa ser seriamente revista em momentos em que ambos representam a escola e seus pavilhões.

– Acredito que falte em muitos dirigentes o real conhecimento do que é de fato um casal de mestre-sala e porta-bandeira e de como portar o pavilhão de uma agremiação, o símbolo maior de uma escola de samba. Vejo muito mestre-sala dançando com uma vestimenta inadequada à liturgia da função. Precisamos conversar cada vez mais sobre isso – destacou.

A organizadora do evento, Selminha Sorriso, falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre a ideia e ressalta que a arte do carnaval deve ser sempre debatida e discutida.

– Estava com um certo receio de fazer por medo de uma baixa adesão mas agradeço muito aos meus companheiros de dança e luta que se fazem presentes aqui e denotam que estão preocupados em evoluir e buscar o aprendizado. Devo tudo à essa arte, a dança da porta-bandeira, que mudou à minha vida. Enquanto o carnaval precisar de mim eu estarei lá para prestar o meu apoio – resumiu.

 

Fonte.:  www.carnavalesco.com.br