Clara Nunes, moderna, eterna

Paulo Oliveira

É preciso brilho intenso. É preciso ser verdadeiramente, metaforicamente ou não, uma estrela. Quem ouviu o canto emocionado dos portelenses no show de Mariene de Castro, na feijoada de agosto da Portela, desfiando o rosário de contas do repertório de Clara Nunes, sabe que somente um ser de luz pode se perpetuar com essa grandeza e beleza, por tanto tempo e em tantos corações e mentes. Clara é da Portela. É moderna e eterna. Uma Sabiá do Rio de Janeiro, do Brasil. Nossa crônica não encontra as palavras certas para falar desses 35 anos de saudade (ah, que falta você faz, Claridade!). E parabéns à Portela, pela justíssima homenagem, nesse enredo sem igual que é Clara da Portela na Madureira que ela tanto amou. Então, vamos de homenagem em verso, cujo amadorismo deve ser desculpado e compensado pela saudade sincera. Voa, nossa sabiá! Os portelamorenses te amamos!

Segue teu destino, Portela!
Que hoje eu venho te adorar
Nos galhos de uma antiga jaqueira
Hei de cantar eternamente
Eu sou a tua sabiá
Nas terras de Oswaldo Cruz
Nos quintais de Madureira
Ouvi num momento de luz
O canto encantado das sereias:

– Quem é que me chama pro samba?
– É a Portela inteira!
– E quem é você que responde?
– Sou a mineira guerreira!

Eparrei, minha mãe, clareia
O mundo que Paulo criou
Herdeira eu sou dessa tela
Que um dia Tarsila eternizou
Dancei nos terreiros
Nas matas e nos bambuzais
Em contos de areia
Salvei meus Orixás

Moderna, eterna
Meu canto vai abençoar
A minha querida Portela
Teu povo feliz a sonhar
Com uma linda aquarela
No azul e branco
Da sagrada passarela

Vai trovejar no meu terreiro
Iansã já mandou chamar
Quem chega? É Clara Guerreira!
Mais uma estrela vai brilhar!

Avante, Portela!!!