Sete raz§es para amarmos a Portelamor: 2¬ parte

Paulo Oliveira

Na crônica anterior, falamos da amizade, do amor, da união e da alegria, em homenagem aos sete anos da Portelamor. Agora finalizaremos a nossa saga do sete. Para nós, portelenses, sete é um número emblemático, pois como vimos, trata de céu e inferno, alturas profundezas, de vitórias retumbantes e amargas derrotas. Viajamos na crônica anterior pelas Sete Portas de Tebas, pelos Sete Portais da Terra, falamos das Sete Maravilhas do Mundo, das Sete Trombetas do Apocalipse e ainda haveria muito mais a dizer.

No universo dos contos de fadas, a história mais emblemática e conhecida de todas é Branca de Neve e os Sete Anões. Lembremos que um dos filmes japoneses mais importantes do cinema japonês é Os sete samurais, de Akira Kurosawa, um mestre. Como se vê, quantos enredos caberiam na mística do sete? Mas também apontamos para o sete como um número que não nos traz lembranças muito agradáveis. A fatídica goleada histórica contra o Brasil em Copas do Mundo foi exatamente por 7 a 1, para a Alemanha, um dos países membros do G-7 ou Grupo dos Sete, entidade que, aliás, não goza das maiores simpatias mundo afora.

Sete é também motivo de muita alegria, orgulho, de realizações épicas. Sem querer puxar a brasa (mas eu quero!!!) para a sardinha azul e branca, estamos inscritos definitivamente e historicamente nesta mítica e mística temática do sete. E o principal dos motivos é óbvio: a Portela é a única escola heptacampeã do carnaval, feito que provavelmente jamais se repetirá. De 1941 a 1947, a escola foi a campeã. Esses sete títulos consecutivos marcaram também nossa eterna Porta-Bandeira, Dodô, e seu parceiro, o Mestre-Sala Manoel Bam-Bam-Bam, heptacampeões do pavilhão azul e branco.

Além do heptacampeonato, uma curiosidade: Portela tem sete letras. Sete parece mesmo ser um número que nos favorece, afinal de contas, voltamos ao pódio em 2017 e entramos 2018, neste sétimo ano da Portelamor, como atuais e legítimos campeões. E não para por aí. Para finalizar, lembremos que nossa carnavalesca, Rosa Magalhães, contabiliza em sua carreira nada menos do que sete campeonatos e esperamos que o número sete seja batido este ano, com a vigésima terceira estrela. Quem sabe se “De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá” a Portela não conquista esse bicampeonato?

Assim, brincamos com a magia do sete e ao mesmo tempo recordamos o tempo que passou com muita felicidade, pois pertencemos a um grupo de amigos que faz da brincadeira uma atividade séria, que é torcer pela Portela. A Portelamor é refúgio de amizades, risos, discussões, sempre no melhor estilo do respeito ao outro.

Já se vão sete anos desde que o fatídico “incêndio” no barracão da Portela, em 2011, motivou Jorge Anselmo, ex-Guerreiros, a fundar a Portelamor, recuperando o eterno lema: nosso espaço na escola é o de torcedores. Foi uma decisão política difícil, mas que uniu nosso pequeno e endiabrado grupo em torno de alegrias maiores: honrar e divulgar a memória da azul e branco de Madureira e Oswaldo Cruz, com o que sabemos fazer de melhor: estudar, pesquisar, debater, criticar, divulgar e apoiar a escola de nosso coração. Da mudança, deu-se uma serena, porém firme, decisão de atuar em prol da história e do legado portelense.

Nunca é demais recordar as palavras do Jorge Anselmo, em entrevista concedida a nós: “Para mim, torcer é um prazer, uma reunião de amigos e uma grande brincadeira e se isso não acontece não tem por que continuar. A coisa está ficando muito séria, para o meu gosto. Estão tentando fazer com esses grupos organizados do samba (que em nada tem a ver com os grupos organizados de futebol, pois nossa visão e foco são completamente diferentes) o que fizeram com os desfiles das escolas de samba. Corremos o risco de perder a espontaneidade”. É desse risco que queremos manter distância.

Amar requer muita coragem. A Portela nos ensinou com sua história a virtude da perseverança, mas também aprendemos com ela a paciência e o respeito. Trabalhamos pelo melhor, pelo que consideramos belo e necessário, mesmo quando não divisamos um horizonte. Esse exemplo, retiramos de nossos baluartes, de nossos artistas, de nossa história.

Que o sete traga mais alegrias para a Portelamor e para nossa amada Portela. Que a amizade se renove, por sete anos vezes sete, vezes sete, ad infinitum. Parabéns ao Grupo Portelamor, e obrigado por me acolherem nessa família amorosa.

Avante Portela!!!!