Sete raz§es para amarmos a Portelamor: 1¬ parte

Paulo Oliveira

“Sete é conta de mentiroso”, diz o dito popular. E é sobre o sete, ou melhor, os sete anos do agora Grupo Portelamor de que essa crônica trata. E se dizem que o escritor, assim como qualquer artista, em geral, tudo inventa, mentiroso contumaz que é, o que se lerá aqui, no entanto, é a mais pura verdade.

Os sentimentos vastos não têm nome, nem dono, sente-se e ponto, como o amor, palavra que deu nome à torcida, que agora é um Grupo. O verbo amar foi de grande importância para a construção sentimental do grupo. Amar sem esperar nada em troca, amar como doação e amizade, talvez tenha sido a motivação para a escolha do nome Portelamor, além, é claro, da inspiração de Jorge Anselmo – quem criou o agora grupo Portelamor – na torcida cearense, a Cearamor. Dito isso, voltemos ao fascínio do número sete, que, como se verá, está ligado à filosofia do Grupo Portelamor e com a história de nossa Portela.

Vamos agora brincar de enredo ou de pensá-lo. O gato tem sete vidas; são sete os dias da semana; os pecados capitais são sete; Deus descansou no sétimo dia; o arco-íris tem sete cores; são sete os demônios expulsos por Deus do corpo de Madalena. A Bíblia recomenda que perdoemos setenta vezes sete. A mística do sete está presente no profano e no sagrado, pois se Deus descansou no sétimo dia, também o “sete é a conta do mentiroso”, e não “de” mentiroso, nos ensinam os estudiosos de textos bíblicos, pois mentiroso é nada menos do que um dos nomes de Satanás. Sete é o número da Criação, a soma da Trindade Divina (3) mais os quatro elementos do mundo físico (água, fogo, terra e ar), o que simboliza a união do homem com Deus. Sagrado e profano, a verdade e a mentira se conjugam nesse número considerado “esquisito”, pelos numerologistas.

A Bíblia é rica na simbologia do sete: são sete os pecados capitais, bem conhecidos, mais ainda do que as sete virtudes (fé, esperança, caridade, prudência, justiça, fortaleza e temperança), menos sabidas e praticadas; são sete as petições do “Pai Nosso”, a oração principal dos cristãos (o nome santo, o reino santo, a vontade de Deus, o pão de cada dia, o perdão, a luta contra a tentação e o combate ao mal); os “sete selos de São João” expressam a numerologia do apocalipse; na estrela de Salomão, um triângulo ascendente se cruza com um descendente, perfazendo seis pontas, que somadas ao ponto central, perfazem o sete místico.

Se sete fosse um enredo de carnaval, teríamos uma infinidade de possibilidades. Como não pode faltar o Egito no carnaval, a pirâmide de Quéops (assim como todas) tema base quadrada e perfil triangular, e no seu interior há três câmaras secretas ligadas ao corredor da entrada por um sistema de quatro corredores, à semelhança do rio que conduzia ao paraíso. Como é bom ter a Grécia no enredo, a cidade de Tebas, localizada a noroeste de Atenas, tem seu mito de fundação ligado a sete portas. Anfion e Zetus tomaram a cidade e ampliaram seu território. Anfion possuía as sete cordas da lira de Apolo, era músico e dizia-se que podia fazer as pedras obedecerem ao tocar a lira. Na ampliação da cidade, Anfion construiu sete portas em homenagem a Apolo.

As associações não param. Na matemática, sete é um número primo e o único a não ser aritmeticamente nem múltiplo nem divisor de outro número, entre 1 e 10. Os sete mares aparecem em diversas culturas e épocas. São sete os principais chakras da ioga. O caboclo mais popular da Umbanda é Seu Sete Flechas. As tradicionais maravilhas do mundo são sete. Sete é também símbolo da medicina. Há Sete Portais da Terra, Sete Trombetas do Apocalipse, além de lembranças não muito agradáveis deste número, como veremos na próxima crônica. E a lista se estende também a elementos da cultura, já que são sete as artes, sendo a seguinte ordem a mais consensual: música, artes cênicas, pintura, escultura, arquitetura, literatura, cinema (também chamado de “a sétima arte”). E há muita brincadeira e galhofa, além de recorrências muito interessantes do número sete na própria história da Portela. Mas isso fica para a próxima crônica, guardemos a curiosidade.

A comemoração dos sete anos da Portelamor nos estimula a refletir sobre nosso papel na história da Portela e desta em nossas vidas e amizades, marcadas pelo amor à azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira. Guimarães Rosa dizia que todo homem tem um papel no mundo e sua tarefa nunca pode ser maior do que sua capacidade de realizá-la. Colocar uma pedrinha neste monumento portelense, ser um dos milhões de passos nesta jornada da águia talvez seja nossa missão e nossa capacidade, conforme o beija-flor que leva uma gota de água em seu bico para apagar o incêndio da floresta. União, amizade, respeito, fidelidade, trabalho, alegria e amor. Sete razões para amarmos o Grupo Portelamor.

Avante Portela!!!