TrÍs Paulos

Paulo Oliveira

Talvez esteja escrito no céu de estrelas azul e branco que de tempos em tempos um certo Paulo cruzará os caminhos da Portela. A história começa em 18 de junho de 1901, quando nascia Paulo Benjamin de Oliveira, nosso Paulo da Portela. Quatro décadas mais tarde, em 12 de novembro de 1942, Paulo César Faria se eternezaria como o Paulinho da Viola. Duas décadas depois, em 14 de maio de 1962, a vida nos legou Paulo Roberto Barros Braga, ou somente, Paulo Barros, que tem a chance de escrever mais uma bela página de nossa história.


Paulo da Portela foi nosso professor. Foi um dos fundadores da Portela, figura emblemática e fundamental na consolidação do samba. Sua lição não se apaga nem se esquece e sua modernidade ecoa no tempo, símbolo de uma Portela mítica alicerçada nos ensinamentos do mestre, que ecoam na obra de Paulinho da Viola e nas inquietações do recém-chegado Paulo Barros. Se Paulo da Portela inovou, o coração de Paulinho foi levado pelo rio azul e branco, por onde também navegará Paulo Barros, em suas viagens reais e imaginárias.


Se o impulso revolucionário de Paulo da Portela fez com que ele criasse um mundo particular, ao se abrirem as janelas mágicas de Paulo Barros no desfile que se aproxima, logo veremos aquele universo materializar-se, rio de memória e paixão que Paulinho da Viola tão bem cantou e no qual os baluartes de ontem e hoje se banharam e banham.


Modernizador, à moda de Paulo da Portela, Paulo Barros é herdeiro da mesma chama de modernização que seu ancestral mais antigo cultivou. Seu desafio é, ao exemplo de um Paulinho da Viola, ser o mais novo traço de união entre um passado vitorioso e o presente revolucionário. E isso não é pouco, ao contrário, é tarefa gigantesca.


Por tudo isso, o carnaval de 2016 já se apresenta antológico. Com seus componentes simbólicos e afetivos, e qualquer que seja o resultado da disputa, mais uma vez os deuses portelenses quiseram um novo Paulo em nosso caminho, com a missão de guiar a águia a voos mais altos.


Que os deuses majestosos te acolham e abençoem, Paulo Barros!

Avante, Portela!!!